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Dejima, a ilha artificial e histórica de Nagasaki

A ilha que tinha a forma de leque conta muitas histórias envolvendo portugueses, holandeses e cristãos japoneses.

Dejima e os portugueses

Os portugueses haviam chegado ao Japão em 1543, com intenção de evangelizar o povo japonês, trazendo também armas e pólvora. No governo de Ieyasu Tokugawa, os jesuítas portugueses estavam fortemente propagando o cristianismo. 
Inicialmente, a ilha chamada de Tsukijima, construída em 1636, por ordem de Iemitsu Tokugawa, para recuperação do oceano e conhecido popularmente como Ogishima, pelo formato de leque, tinha objetivo de acomodar o posto de comércio português e os portugueses que viviam em Nagasaki. Tokugawa queria controlar o comércio e a propagação do cristianismo pelos portugueses. A obra foi financiada por 25 pessoas, chamadas de Dejima-cho Hito - Povo de Dejima - representantes comerciais de Nagasaki, que tinham interesse em usar o comércio português para aumentar os lucros. Assim surgiu Dejima, com a finalidade de restringir contato dos portugueses com os japoneses.

Dejima e os holandeses

Os primeiros holandeses chegaram ao Japão, em 1600,  trazendo muitas armas em seus navios e ganharam a credibilidade, pois visavam o comércio e não em propagar a fé cristã como os portugueses e, por isso, um posto comercial foi estabelecido em Hirado. Uma década depois, receberam permissão oficial para negociar com o Japão. A história mudou quando em 1614, Tokugawa proibiu o cristianismo no Japão. Muitas histórias tristes aconteceram envolvendo estrangeiros no Japão. Em 1621, o xogum proibiu os japoneses de saírem do país e somente pessoas com passes especiais podiam usar embarcações estrangeiras. Tokugawa que era contra a propagação do cristianismo, fez uso da chegada dos holandeses, pois havia acabado de iniciar uma campanha, devido ao excessivo proselitismo dos jesuítas portugueses que ameaçavam sua autoridade. Holandeses, até então, podiam circular livremente e tinham contato irrestrito com os japoneses. Muitos deles casaram com japonesas. Na Rebelião de Shimabara, que teve início em 1637 e terminou em 1638, os portugueses foram aliados dos rebeldes cristãos. Por isso, foram expulsos da ilha, um ano depois, deixando-a vazia.Em 1639, filhos de pais estrangeiros - mesmo com mães japonesas -  foram forçados a deixar o país e as crianças não puderam mais ter contato com os japoneses. Somente em 1657, o governo relaxou as regras, permitindo ter notícias de suas famílias.Os holandeses que até então mantinham um posto de comércio, a Companhia das Indias Orientais, em Hirado, foi transferida para Dejima, que permaneceram durante o período de isolamento do Japão, que ocorreu de 1641 a 1853.

Dejima era, então, a única porta aberta para a Europa, sendo Nagasaki o único porto comercial e internacional do Japão. 
Depois que os holandeses foram autorizados e puderam retornar ao seu país, a ilha perdeu seu papel histórico e até na forma do leque. Foi aterrada várias vezes para recuperação do Porto de Nagasaki e a ilha foi perdida. 





Embora diferente da original, hoje Dejima é um ponto turístico histórico. Antigos edifícios permaneceram ou foram reconstruídos usando o método tradicional da Era Edo.
Depois da Segunda Guerra iniciaram os projetos de restauração da ilha e Nagasaki planeja retornar Dejima ao seu estado do século 19, para transmitir o valor histórico que deixou para o futuro.
Através do contato comercial com os portugueses, holandeses e chineses, Dejima desempenhou importante papel na modernização do Japão.
Para acessar Dejima e seus edifícios, o local conta com 3 portões de entrada, o principal é denominado Omotemon, acessível através da ponte do mesmo nome, inaugurada em novembro de 2017.
O edifício acima é do Antigo Seminário e faz parte de uma das entradas de Dejima, situado próximo da estação de bonde Shinchi Chinatown.
Vista por dentro, o portão de entrada acima, fica próximo da estação de bonde Dejima.

Valor do ingresso: 510 ienes
Endereço: 〒850-0862 長崎県長崎市出島町6-1 Nagasaki ken Nagasaki-shi Dejimamachi 6-1




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