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Por que existem muitos templos e santuários em Kyoto?

Kyoto é a cidade que simboliza a cultura japonesa e a característica principal é o grande número de templos e santuários.
A área histórica de Kyoto tem poucas fábricas ou negócios, que se pode observar facilmente. Para preservar a aparência geral da cidade histórica, existem códigos de construção rigorosa, com restrições, limitando a altura dos edifícios e mantendo características antigas dos edifícios nos telhados e madeiras escuras, através da Lei de Preservação de Capitais Antigas, promulgada em 1966.
Somente na cidade de Kyoto, hoje existem cerca de 800 santuários e 1.700 templos.

No entanto, a província de Niigata conta com 5.000 santuários xintoístas e Aichi tem 5.000 templos budistas, especialmente em Nagoya, porém, menos famosos.

Segundo o site NDL, Aichi tem um total de 8014 santuários e templos, 400 a mais que a província de Niigata, que é o segundo lugar. 
Comparando com as províncias de Kyoto (total de 4838 templos e santuários), Tóquio (4335 entre templos e santuários), Osaka (4131 santuários e templos), Nara (3224 santuários e templos) etc., número bem maior que as demais.

Mas por que existem muitos templos e santuários em Kyoto?


Primeiramente, devo dizer que não fiz nenhuma comparação de número de templos e santuários por metro quadrado ou número de habitantes do Japão com as principais religiões de outros países. 
Entretanto, templos e santuários do Japão tornaram-se famosos pelas idades milenares desde a fundação, pela manutenção constante, muitas vezes depois de acidentes naturais, mas principalmente pela tradição. 
A arquitetura, localização e o charme da antiguidade chamam a atenção de turistas do mundo inteiro.
A existência do grande número de templos e santuários em Kyoto tem a ver com a história do Japão, na era Heian, que compreende os anos 794 a 1185. 


1. Transferência da capital do Japão de Nara para Kyoto

Na era Heian, a primeira capital Nara foi transferida para Heian-kyo, atualmente denominada Kyoto. 
A era denominada Heian deve-se ao antigo nome de Kyoto.
Com a transferência da capital para Kyoto, membros da realeza e funcionários públicos passaram a morar lá, seguindo-se uma longa história de política e cultura.
Nara e Kyoto eram as grandes cidades japonesas e não se envolveram em ataques aéreos durante a Segunda Guerra Mundial.


2. Religiosidade

Na época, além do fato de a medicina não ser desenvolvida e grande a religiosidade, recorria-se aos deuses, fazendo com que muitos santuários fossem construídos. 
Santuários realizam muitos festivais dedicados aos deuses como oferendas para prevenir doenças e evitar desastres naturais.O famoso Festival de Gion é um exemplo disso. Realizado há milhares de anos, iniciou para apaziguar os deuses durante o surto de uma epidemia, no ano de 869. Gion Matsuri dura cerca de 1 semana, sendo 2 dias mais importantes e os demais realizados nas ruas de Kyoto.

3. Influência chinesa do budismo na Era Heian

Nesse período, o Japão recebeu influências chinesas do budismo, taoísmo, etc.
No período Heian, apenas Kyoto promovia pesquisa acadêmica, através dos templos budistas.
Os templos tinham todas as funções de uma universidade moderna - equivalentes aos atuais hospitais universitários com instituto de pesquisa e biblioteca -; os monges budistas eram professores e considerados nobres.

Obs.: Os monges perderam a nobreza na era Kamakura, quando o título se espalhou para pessoas comuns.


Kyoto era o centro da política, educação e cultura e do Japão. 
Não tendo sido afetada pelos ataques aéreos, foi preservada. 
Embora tenha tido um número maior de templos e santuários do que atualmente, a maioria deles foram preservados e/ou reconstruídos, alguns foram melhorados com o passar dos anos, atraindo milhares de turistas diariamente.

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