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Ginkgo, as folhas amarelas do outono no Japão

Com suas folhas parecidas com as delicadas avencas, ginkgo é uma invulnerável árvore de folhas caducas que se destaca no outono do Japão.
A árvore é tida como uma das mais antigas plantas, com histórico de 200 milhões de anos, o único fóssil vivo, ou, a única ligação viva com o período jurássico.
Originária da China, cultivada principalmente na Ásia, chega a atingir a altura de 30 metros e uma das plantas com maior longevidade e invulnerabilidade, além da fama poderosa de afastar insetos.
Dióicas, divididas em 2 sexos, a maioria plantada no Japão é o ginkgo feminino. O ginkgo masculino é reconhecido pelos cones de pólen, localizados no nó onde nascem as folhas, sendo mais utilizado no plantio em parques e ruas.
E naturalmente, as espécies femininas são as que produzem frutos, chamados de ginnan (leia-se guin-nan).
Suas folhas adquirem variadas cores, do verde ao amarelo em uma única planta, no outono.
Como a árvore de canfora, que já comentei nesta postagem sobre >>>  a flor de Hiroshima - ginkgo foi mais uma das árvores que sobreviveu à bomba atômica.
Enfeitam ruas, é árvore-símbolo de muitas cidades e províncias japonesas. 
Embelezando, inclusive, com a queda de suas folhas amarelas no outono.


O logotipo de Tóquio é representado pelo desenho da folha de ginkgo.
No Brasil, é conhecido como Ginko Biloba, pela propriedade medicinal, sempre sob orientação médica.

Ginkgo é chamado de ichō pelos japoneses e apelidado de chichinoki (fonética: titinoki).
O nome é derivado do idioma chinês, cuja escrita 鴨脚 - que significa pés de pato, pelo formato das folhas - tem leitura japonesa de ichō. A escrita japonesa seria 公孫樹 que também se lê ichō, traduzida como árvore avenca.
A escrita dos ideogramas do Japão e da China são parecidos, porém a leitura e significados são, muitas vezes, diferentes entre os 2 países.
Existe uma outra teoria a respeito do nome, de que monges e comerciantes que iam à China, entendiam o nome da planta como yachao.
Ichō, ou ginkgo, foram plantadas desde o antigo Japão para proteção a templos e casas, como quebra-vento e contra incêndios. Por isso é bem comum encontrar uma dessas árvores em templos ou santuários.
Santuários e templos que escaparam de incêndios graças à árvore, reverenciam-na como sagrada. Existem árvores como cânfora ou ginkgo, consideradas sagradas em templos ou santuários e, na maioria das vezes, com histórico de centenas de anos, devido à proteção que oferece e pela sua resistência.
Foi a explicação que encontrei por fiéis venerarem árvores em santuários no Japão, em sua inabalável crença na natureza, equilibrada com a tecnologia.
Frutinhos do ginkgo, ginnan
Dentro do ginnan - frutinhos produzidos pela árvore de ginkgo e parecem nozes - tem um grão verde. Depois de quebrar, aparece uma película fétida considerada venenosa. cujo contato direto com a pele pode provocar erupções cutâneas, além do mau cheiro. Envolvida pela película está a semente.
Os frutinhos não produzem mau cheiro. O odor fétido acontece somente depois de abertos e, como na maioria das vezes, pisados.
Existe até uma certa brincadeira, dizendo que a culpa é do pé do homem que pisa e por isso exalar mau cheiro, comparando ao odor da podobromidose, popular chulé.
Considerada resistente a insetos, a madeira, de cor clara, é utilizada na fabricação de móveis e utensílios de cozinha.
Suas propriedades medicinais tem sido de grande eficácia em diversos tratamentos de saúde.
A semente é comestível e faz parte da culinária japonesa, considerado de grande poder nutritivo, no entanto, o uso exagerado não é recomendável.
Lamen verde, produzido a partir da semente
A partir das folhas são produzidos bebidas e extratos com fins medicinais.
Se os japoneses alimentam-se de brotos diversos como os de feijão, de bambu, algas e outras variedades, as sementes que se encontram no interior dos frutinhos também são comestíveis, porém, é preciso tomar muito cuidado, pois o uso em grande quantidade não é recomendado.
Acima de tudo, a beleza das folhas amarelas ao chão, encanta a todos.
Na próxima postagem, um lugar para se encantar com essas folhas, em Aichi.

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Estou compartilhando, linda sua postagem! Fico imaginando caminhar vendo as folhas amarelas no chão. Que tapete!

Bjs

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