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Santuários xintoístas do Japão

Considerada a religião tradicional japonesa, o xintoísmo tem a maioria da população como seguidores.
Os santuários são chamados de jinja, derivado de shinsha, que significa lugar dos deuses.
Em japonês, os santuários podem ter a terminação de "jinja", "jingu" ou simplesmente "gu" - no caso de hachimangu -, "sha" e taisha".
Em nomes populares podem ter ainda terminações como "inari".
No xintoísmo, lembrando o catolicismo, haverá sempre um santuário abrangendo uma área paroquial. Cada santuário abrange apenas uma região, limitada, definida, oferecendo bênção e proteção a todos que vivem na área.
Não existe cemitério anexo em santuários japoneses.


Como reconhecer um santuário xintoísta:


• Portal de entrada

O portal de entrada a um santuário é chamado torii, marcando um espaço sagrado. Torii tem origem xintoísta.
Ao adentrar em um santuário haverá este portal, onde as pessoas fazem reverência. Para saber mais sobre esses portais, clique nesta >>> postagem.


• Local de purificação 

temizuya <<< (clique para saber mais,  se ainda não leu) ou chozuya é o local de purificação simbólico, de origem xintoísta. 


• Shimenawa

Shimenawa são cordas, feitas de palha de arroz, com tiras de papel, shide, pendurados, encontrads em xantuários. Muitas vezes o shimenawa estão pendurados no torii, marcando o espaço sagrado.
Colocados para afastar espíritos malignos, os shimenawa designam objetos e espaços especialmente sagrados. Saiba mais sobre >>> Shimenawa.

Muitos confundem o shimekazari - decoração de Ano Novo - nomeando como shimenawa.


• Árvore sagrada

No xintoísmo, cultuam-se árvores que sobreviveram durante centenas ou milhares de anos. 
São chamados de goshinboku, ou simplesmente shinboku. Shinboku escreve-se com esses 2 ideogramas: 神木. O primeiro ideograma 神 shin, pode ser lido também como kami, que quer dizer Deus. O segundo, 木 boku, lido também como ki, significa árvore.
Geralmente essas árvores são o ginko biloba, cânfora ou sugi, criptomeria japonesa. As árvores sagradas tem sempre o shimenawa, explicado anteriormente, à sua volta..


• Guardiões de santuários

Em santuários, os guardiões são representados por animais. 
Estátuas de leões e cães são mais vistas, porém outros animais, boi ou raposa são os guardiões em diversos templos.
Para saber mais, leia a postagem sobre Komainu <<< clique.

• Sinos

Na frente do Santuário Principal, geralmente há um um local ou caixa para jogar moedas e um sino no teto, que deve ser tocado através de um cordão, antes da oração.

• Arquitetura dos santuários xintoístas

Existe uma forte influência budista na arquitetura dos santuários.
O que difere templos de santuários xintoístas são os telhados, com uma ponta no alto voltada para frente.
Com exceção aos antigos, santuários tem cores mais fortes, especialmente alaranjada (ou vermelha).

Os grandes santuários como Meiji Jingu, Ise Jingu e Atsuta Jingu estão localizados em enormes áreas de floresta, mas minúsculos, como os chamados hokora, são encontrados em beira de estrada.


O termo hokora é dado também aos pequenos edifícios construídos, às vezes, sobre uma espécie de palafita, na área dos santuários.
Outros edifícios como Kaguraden - onde se realiza um ritual de oferenda aos deuses chamado Kagura - Honden ou Santuário Interno, Haiden (Salão de Adoração) e Heiden (Salão de Oferendas) são encontrados em áreas dos santuários.

• Sacerdotes e trajes

Kannushi é o nome designado aos sacerdotes xintoístas, responsáveis pela manutenção e realizar cultos.
 Em grandes santuários existem vários graus de kannushi. Um kannushi principiante precisa estudar em uma Universidade designada ou passar por um teste. Mulheres podem ser kannushi. Se o kannushi falecer, esposas podem herdar o posto.
A religião estritamente japonesa tem forte relação com a Família Imperial, devido a Amaterasu, ancestral dela.
Em lojas de santuários, sacerdotes e sacerdotisas são os atendentes. Diferente de templos budistas em que são funcionários, em trajes normais, ou, raramente, pelos monges.
As sacerdotisas sempre se vestem nas cores branca e laranja.
Sacerdotes se vestem de kariginu e calçam asagutsu. 
Em ocasiões especiais, os sacerdotes xintoístas usam eboshi e sapato.
As miko, sacerdotisas, vestem mikoshozoku, composto de kosode branco e hihakama.

Miko são donzelas que executam os serviços do santuário, que vão da limpeza sagrada, cerimôniais e à dança Kagura.

• Cores do xintoísmo

Diferente do budismo, santuários xintoístas não exibem uma grande bandeira, porém existem 5 cores, chamado goshiki, para representá-lo: azul (ou verde), laranja (ou vermelha, como referem os japoneses), amarela, branca e roxa (ou preta). As cores e significados mudam em cada santuário.
Dizem representar madeira, fogo, terra, ouro e água, relacionados às virtudes.
A bandeira não é comumente usada, porém as cores são vistas, às vezes, nos trajes de sacerdotes e sacerdotisas. 
É possível ver tiras coloridas penduradas em eventos ou amuletos.


• Oração


Em santuários, os fiéis arremessam uma moeda em local próprio, depois tocam o sino , em seguida batem palmas duas vezes, fazem reverência e a oração com as mãos juntas e em silêncio. A reverência é feita novamente no final.

Certamente, depois desta leitura, quem visita templos e santuários irá questionar alguns itens encontrados em templos budistas. O motivo e as diferenças estão na próxima postagem.

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