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Vestígios da era Edo em Nagoya: Shikemichi, em Nagono

Se existe algo que encanta turistas que visitam o arquipélago é a tradição e o Japão é um país que procura preservar ao máximo. Tradição, de um modo geral, nos remete à era Edo.
Embora Nagoya não esteja incluída como um dos destinos turísticos de que vem ao Japão, a cidade tem muito mais a oferecer do que se imagina.
Localizada na área central do arquipélago, contém diversas atrações na cidade, vida noturna de forma tranquila, além de muitas outras opções turísticas na região.
Nagoya tem esses locais tradicionais tão procurados pelos turistas, não amplamente divulgados. São locais históricos, pequenos trechos com acontecimentos que marcaram um período.
Conheci 3 desses lugares em Nagoya e contarei em partes.
Nesta primeira postagem vou falar sobre um local tradicional histórico, que fica em Nagono, área central de Nagoya, pertinho dos locais frequentados por brasileiros, entre o Kokusai Center, ou Centro Internacional de Nagoya, e o Consulado brasileiro: Shikemichi.

Shikemichi é hoje um local com ruas estreitas, de pouco movimento, que foi construída como uma cidade, ao mesmo tempo em que iniciou a construção do Castelo de Nagoya, em 1610. 
Após a conclusão do Castelo de Nagoya, em 1612, houve a transferência da sede dos Owari, do Castelo de Kiyosu para Nagoya. 
Casas, santuários, templos, pessoas comuns, samurais e até os nomes de bairro de Kiyosu foram transferidos para este local que, mais tarde, passou a ser denominado Shikemichi. 
O distrito foi construído especialmente para os comerciantes que eram conhecidos como Kiyosu-goshi, Movimento de Kiyosu, cuja migração teve o mesmo nome. Eles comercializavam arroz, misô, saquê, sal, lenha e carvão vegetal, usando o Rio Hori, Horikawa, como canal de transporte. 
O comércio prosperou e a área desenvolveu.

Em 1700 ocorreu um grande incêndio em Nagoya e muitos estabelecimentos comerciais, templos e santuários foram destruídos. Yoshimichi Tokugawa, feudal da época, com a finalidade de evitar futuros incêndios, resolveu alargar uma rua paralela ao Horikawa. 
O alargamento da rua deu origem ao nome do local, pelas dimensões "entre 4 de largura e 7 metros de extensão". "Entre 4" é dito "Shi-ken" em japonês e "michi", significa caminho.

Novos armazéns foram construídos com paredes de gesso - que evitam a propagação do fogo - com a finalidade de proteger contra futuros incêndios. 
Foram 40 anos para que a área fosse totalmente reconstruída. As construções, casas e armazéns, datam de 1740.

Algumas construções ainda permanecem como residências.


Os armazéns transformaram-se em restaurantes, bares e café, muitos deles requintados, lojas de artigos finos e existe ainda, uma galeria de arte.

Existem painéis, pela área, com mapa para melhor se localizar.








Com a finalidade de preservar esta importante área do patrimônio da cidade, Shikemichi foi designado pela Prefeitura de Nagoya como zona histórica de conservação, em 10 de junho de 1986. 


Santuário Yanegamisama


Em uma rua transversal, um santuário denominado Yanegamisama. 
Yane significa telhado e kamisama, deus. No idioma japonês, a junção de palavras muda a consoante, por isso Yanegamisama.
O santuário tem característica de armazém, com um altar no telhado homenageando os santuários Tsushima, Akiba e Atsuta. 

Este tipo de altar no telhado é exclusivo de Nagoya, forma de proteção contra desastres e doenças.

Horikawa, Rio Hori


Horikawa é bem conhecido pelos brasileiros moradores de Nagoya e região. É um rio que passa pela área central, como expliquei na postagem anterior.  No entanto, embora leve esse nome não é um rio, é um canal, que nasce no fosso do Castelo de Nagoya. 
Hori, traduzindo significa fosso. 
Criado inicialmente para transportar materiais de construção para o Castelo de Nagoya, serviu também como canal de transporte aos comerciantes. 
Esta é a imagem atual, abaixo, de Horikawa, na área de Shikemichi, vista através da ponte Nakabashi em direção a Gojōbashi.

Gojōbashi


O nome tem origem na migração da sede do governo de Kiyosu para Nagoya. O rio Gojo, à frente do Castelo de Kiyosu, tinha um ponte com o mesmo nome: Gojōbashi.
A Ponte Gojō, que era de madeira, foi construída em 1610 e substiuída por uma de concreto em 1938. 
A história está contada neste painel.
A ponte está localizada em direção ao shōtengai Endōji.

Sengen Jinja


Sengen Jinja é um santuário que está no início da área de Shikemichi, para quem chega através da Sakura-dōri.
Conforme a placa abaixo, de acordo com "Owari-shi", foi transferido para o local em 1647. No recinto, 7 antigas árvores, cânfora e zelkova, datadas de 300 anos atrás.
Dedicado à deusa xintoísta Kono Hana No Saku Ya Hime.
O santuário é um ativo de preservação, designado pela cidade de Nagoya.

Shōtengai Endōji


Mais à frente está o shōtengai - rua coberta - Endōji, também antigo, onde ainda estão algumas lojas e cafés da época. Lá está também o templo, com o mesmo nome.
Na galeria, lojas antigas, tradicionais e muitos restaurantes e cafés.
Taishido Hall

O templo denominado Endōji foi construído em 1654, conforme a placa afixada diante do templo. No interior do salão principal existe uma estátua da deusa budista Kishi-Boji, feita com restos de madeira utilizados na construção da masmorra do Castelo de Nagoya, que foi doada por uma concubina do fundador do clã Owari, Yoshinao Tokugawa. Para ver a estátua, está aberta ao público somente nos dias 18 de cada mês.
Um passeio em Shikemichi demora menos de 1 hora. À noite, as construções tem um aspecto nostálgico e elegante, pelas fachadas iluminadas dos restaurantes locais.

Para quem vai do Kokusai em direção ao consulado, vire à esquerda, na rua do posto, antes da ponte.
Endereço: 451-0042 名古屋市西区那古野1
Aichi-ken Nagoya-shi Nishi-ku Nagono 1
Mapa


Na próxima postagem vou mostrar o Caminho Cultural de Shirakabe e Chikara, localizada em área nobre de Nagoya, um bairro onde estavam residências da classe intermediária do Clã Owari, da era Edo, e ricos comerciantes, artistas, escritores das eras Meiji e Taisho.

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