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O Japão que eu vivo: okozukai, a mesada dos maridos

Eles trabalham - elas administram o salário dos maridos - por isso recebem mesadas.
Mulheres pagando contas em restaurantes ou lojas é cena bastante comum no Japão

Um hábito bastante comum no Japão - mais frequente na classe média, mas não é regra - é que as mulheres são responsáveis pelo orçamento doméstico. Elas assumem a responsabilidade em relação aos gastos da casa, marido e filhos. O marido entrega o salário integralmente à esposa e recebe uma espécie de mesada, que leva o nome de okozukai.

Se a mulher também trabalha fora, administra os 2 vencimentos e define o valor dessa mesada. Mas é ela quem fica responsável de efetuar todos os pagamentos seja de aluguel, hipoteca, financiamentos, despesas com carros, etc.

Meus colegas de trabalho japoneses, recebem em média ¥30.000, algo em torno de $380.
Pesquisas apontam que eles estejam recebendo ¥36.500, em média, a menor de todos os tempos.
Os homens já tiveram, em média, okozukai equivalente a ¥76.000 - pouco mais que o dobro - antes do estouro da bolha de 1990.

Os que recebem essa mesada dificilmente almoçam fora sozinhos durante a semana ou partilham de um happy-hour após o expediente, pois sai dessa mesada. Geralmente levam seu obentôs (marmitas) para a refeição ou usufruem as fornecidas pelos locais de trabalho e, ocasionalmente, tomam refrigerante. No Japão, toda refeição vem acompanhada de chá.

Não é um hábito estranho, apenas não estamos acostumados com essa cultura da administração de finanças doméstica pelas esposas, mas particularmente, considero muito importante.

Muitas sociedades, além da japonesa e americana, tem o hábito em que as mulheres estão a frente da contabilidade doméstica.

Estrangeiros que vivem no Japão e tem seus cônjuges japoneses também cultivam esse hábito.

O benefício é que dá, à dona de casa, responsabilidade e a função de financeiro da casa, além de evitar supérfluos, desperdícios ou futilidades, já que o marido vai se sentir constrangido, caso tenha que pedir dinheiro e/ou justificar à esposa. É também justificado pelo fato de facilitar a vida do homem japonês, sem ter que se preocupar com as finanças, podendo dedicar-se mais ao trabalho.

O fato negativo seria, para o homem, a necessidade de um dinheiro urgente ou receber algum convite de última hora e ter sua mesada estourando.

A tendência está mudando um pouco - já que a maioria das mulheres trabalham fora do lar - dividindo as responsabilidades.

Há casos em que algumas esposas fazem uma espécie de caixa 2 chamado de hesokuri-gane ou simplesmente hesokuri.
Hesokuri quer dizer umbigo, Hesokuri-gane quer dizer "dinheiro escondido no umbigo".
Ou seja, algumas "escondem" dinheiro sem compartilhar aos maridos, cujos objetivos podem ser poupar para o futuro, aposentadoria, etc. ou ter um fundo em benefício próprio, para sair com amigas ou comprar algo para elas mesmas.

Como dizia Martinho Lutero:
No casamento, cada pessoa deve realizar a função que lhe compete. O homem deve ganhar dinheiro, a mulher deve economizar.

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Comentários

Stefani Vaz disse…
Minha mãe e pai praticam "okozukai" desde que se casaram.

Ele não recebe uma "mesada" fixa, mas um valor aleatório, mais ou menos de acordo com o que ele precisa gastar. Se ele precisa de mais, ele pede.

Mas ainda que minha mãe administre sozinha, as decisões em relação ao consumo são tomadas em conjunto. Quer dizer, mais ou menos, porque as vezes dá a louca...


Durante o artigo você citou a "bolha de 1990". Eu estava lendo sobre ela ainda esta semana. Pretendo fazer minha monografia sobre a economia japonesa, mas ainda não sei bem em que focar. A bolha de 1990 é uma das coisas que me ocorreu.
Sissym disse…
Leh,

Isso é inteligencia conjugal e financeira, alem de uma ação reconhecida e merecida.

Bjs
Roberto Maxwell disse…
hauhua. Achei o máximo o post. Mas vejo uma coisinha aí que é a infantilização das relações entre homens e mulheres no Japão. A mulher vira a mãe e o marido, o pai e lá se vão as identidades de cada um... Mas acho bacana que o orçamento doméstico seja pensado, como vejo nas famílias de muitos japoneses. E eu sempre digo que acho que administrar a família é um trabalhão. Não deveria ser algo só para as mulheres, os homens deveriam assumir mais essas funções do lar, viu? Já passou da hora de sermos iguais de verdade, em direitos e obrigações.

Beijos.

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