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Millôr Fernandes e o haikai, a forma poética japonesa

Imagem UOL

No silêncio... de repente, ele partiu.
Não avisou ninguém.
A notícia veio somente um dia depois.
Pessoas como ele, que não deveriam partir jamais, mas se vão porque pertencem a outra dimensão.

Em tudo o que se propôs fazer, fez bem feito como cartunista, jornalista, dramaturgo, escritor.
Riquíssimo em seu valores, o filho de Millôr Fernandes disse em uma reportagem que ele não queria ser famoso, mas sim notório. Mas o Mestre partiu célebre e notório. Eternamente!

Descobri que não era conhecido pela massa, embora tratasse dos assuntos a favor dela.
Não foi muito difícil descobrir porque alguns não o conheciam: ele não aparecia na TV, a mídia mais popular.
Também não era preciso ser intelecto para conhecê-lo, pois escreveu em revistas e teve inúmeros livros populares publicados.

Algumas das diversas obras:




Quem o conhece sabe e não preciso repetir o que toda a mídia, amigos, admiradores falam sobre Millôr Fernandes.

O que muita gente ainda não sabe é que Millor escreveu diversos haikus.

Haiku - anteriormente chamado de hokku - conhecido no Brasil como haikai, é uma forma poética japonesa.

É o menor poema do mundo, com apenas 17 sílabas. Podem ter somente 3 linhas de 5, 7 e 5 sílabas.
No haiku não há rima, nem pontuação.

Método bastante complicado, que deve combinar forma, conteúdo e linguagem e tem o objetivo de cortar palavras e tornar as pontuações em fácil entendimento.
O grande desafio é fazer com que o leitor tenha uma imagem mental em poucas palavras.

O haiku japonês é impresso em apenas uma linha vertical.
Haikai japonês e o inglês tem algumas diferenças entre elas.
O haikai inglês torna o poema mais compreensível ao leitor e não conta sílabas.

Haikai surgiu inicialmente pelo japonês Matsuo Bashô, há quatro séculos atrás.
Era professor e renunciou para viajar pelo arquipélago, em busca de inspiração.
Aos 29 anos escreveu seus primeiros poemas no estilo haiku e um livro com alguns de seus primeiros versos. Depois disso, teve apoios que o patrocinaram. Morou em diversos lugares, escreveu vários livros e coleções de haikus. Quando ficou doente, prevendo sua morte, escreveu seu último poema:
Atingidas ao viajar
meus sonhos ainda vagam
mas em campos secos


Millor Fernandes escreveu seus haikais, de forma diferente da japonesa - abrasileirada - já que a cultura é totalmente diferente.
Recriou e adaptou ao dia-a-dia, e colocou-as em um livro.



Leia aqui alguns dos haikais publicados por Millor.

As páginas da web de Millor estão todass atualizadas. No Twitter, mensagens de carinho:


E seu último tweet:


O Saite, como ele sempre fez questão de escrever, sua ausência

Wikipedia, Pensador, Facebook, já foram rapidamente atualizadas.


Este é um antigo Haikai de despedida que Millor havia escrito:

Passeio aflito,
Tantos amigos
Já granito



Millôr Fernandes, descanse em paz!
Obrigada pelos momentos de alegria, entretenimento, informação e, principalmente pela cultura que nos deixou.
Millôr, obrigada por tudo!
Fará uma grande falta, mas estará sempre vivo na memória do nosso país!

Comentários

Suely Poubel disse…
Boa noite amiga Leh! Infelizmente perdemos mais um grande brasileiro...aos poucos vamos ficando cada vêz mais órfãos. bjnhos.
Olá!
Boa noite!
Desejar uma Feliz Páscoa!
Beijos
(voltarei com mais vagar, para ler)
Sissym disse…
Leh, querida, um dia todos partem, agora ele vai criar algo especial no paraiso.

Faça desta páscoa, a tua páscoa. Faça desta ressurreição, tua ressurreição. Nunca se entregue, pois é somente a cada adversidade que poderemos vislumbrar uma nova oportunidade. (Ivan Teorilang)

Beijos
Van disse…
Oi Leh,

linda a sua homenagem e instrutiva, como todo post que você faz, completo em informações.

Um beijo

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