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Gambare, Mulheres!


Homenagens às mulheres, no Brasil, é quase como Dia das Mães ou dos Namorados. Flores distribuídas em mercados, lojas, e em casa ou no trabalho pelos maridos, filhos, namorados, amigos. Festinhas são organizadas em ambientes de trabalho.

A comemoração no Dia Internacional da Mulher no Japão, são mais que flores.



As comemorações focam muito mais a sua importância, lembrando a conquista que iniciou através das mulheres que tinham duras condições de trabalho nos EUA e protestaram contra os baixos salários e na melhoria do tratamento, em 08 de março de 1857.
Foi a partir desta data que, em 1975, a ONU instituiu o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, visando a melhoria da condição, esforços para a participação em igualdade, segurança, desenvolvimento e organização.
Alguns países até adotaram como feriado, somente para as mulheres.

As mulheres japonesas comemoraram o dia Internacional da Mulher pela primeira vez, em 1923. Nesse primeiro Ano Internacional da Mulheres, elas reivindicaram o direito de voto. Elas foram mantidas sob forte vigilância e a comemoração da data foi interrompida. Somente em 1947, as japonesas puderam comemorar novamente esse dia. Desde então, desenvolveram sérios trabalhos de solidariedade com as mulheres, igualdade de gênero e paz mundial.



Hoje, as homenagens são em forma de foruns, debates, simpósios, visando o que melhorou e o que ainda é preciso ser feito.


Em 2010, sob a colaboração do jornal Tokyo Nihon Keizai Shimbun, foi realizado um grande simpósio, com a participação de diversas autoridades da ONU e autoridades diplomáticas.

Em 2011, Japão sediou o 100º aniversário do Dia Internacional da Mulher, que teve o slogan "Comemorar, Confiar e Conectar".
"Comemorar como nunca, conectar como só as mulheres fazem e confiar em nossos corações" visando melhorar nas áreas: pessoal, familiar e da nação.


Neste ano, diversos eventos do gênero estão programados, alguns já realizados por entidades sindicais, prefeituras, ONGs e órgãos governamentais.

No Japão, existe a ONG JOICFP, sediada em Tóquio, que tem o objetivo de proteger a vida e a saúde das mulheres grávidas e mulheres em países em desenvolvimento.
Esta mesma ONG criou a Campanha Gambare Mulheres no Japão, para apoiar as mulheres nas áreas afetadas pelo terremoto/tsunami/acidente nuclear.

Um dos assuntos que vem sendo debatidos são as questões dos baixos salários das mulheres em relação aos homens e,em todas, o assunto são as mulheres de Fukushima.


Umeko Tsuda, uma grande batalhadora pelas mulheres no Japão


Não poderia deixar de compartilhar a história desta mulher



O Japão já teve histórico de grandes mulheres, uma delas vem da época dos samurais: Umeko Tsuda, nascida em 1864, em Tóquio.
Umeko foi a primeira mulher japonesa a estudar nos EUA, às custas do governo japonês, comtemplada no objetivo do então embaixador Tomomi Iwakura de ocidentalizar as japonesas. Iwakura achava que elas se tornariam modelos de feminilidade ideal, ajudando o país a ser uma nova e moderna nação japonesa.
A experiência lhe permitiu ser pioneira do ensino superior das mulheres no Japão. Tornou-se modelo a várias gerações de mulheres que contribuem para o desenvolvimento do ensino superior. 100 anos depois, a sua contribuição está no coração dos japoneses, conscientes da importância das mulheres em todas as sociedades, no crescimento do mundo globalizado.

Umeko morou 10 anos nos EUA, aprendeu rapidamente o idioma, adaptando-se facilmente aos costumes ocidentais.
Quando retornou ao Japão, tendo quase esquecido o idioma japonês encontrou dificuldades para se comunicar com a própria família, mas esse problema foi temporário. Inteligente e independente, chocou-se com a realidade das mulheres japonesas.
Até mesmo seu pai, "semi-ocidentalizado" ainda carregava o tradicional sistema de autoritarismo patriarcal.
Ao ensinar inglês em uma escola, deparou com a educação destinada a polir as meninas como damas e treiná-las para serem esposas obedientes e boas mães.
Voltou aos EUA mais tarde e, preocupada com a educação das mulheres japonesas, decidiu dedicar sua vida em prol de melhor educação feminina. Achava que as japonesas deveriam ter oportunidades de estudar nos EUA, além de o ensino superior melhorar o comportamento das mulheres, estudar nos EUA fariam competentes líderes educacionais no Japão.

Criou o fundo "Bolsa americana para mulheres japonesas" que fortaleceu a relação Japão/EUA, no ensino superior para as mulheres. Muitas japonesas conseguiram estudar nos EUA, graças à essa bolsa, tornando-se líderes educacionais e políticas.
Umeko publicou várias teses e fez diversos discursos públicos sobre o comportamento das mulheres japonesas.
Em 1900 abriu o Joshi Eigaku Juku (Instituto das Mulheres de Estudos em Inglês), escola no estilo ocidental de educação.
A escola passou por problemas financeiros, mas devido aos esforços de Umeko, em 1903 a escola foi reconhecida pelo Ministério da Educação, tornando-se profissional.


A escola de Umeko que ainda teve o nome de Tsuda Eigaku Juku, em 1993 e após a II Guerra ficou conhecida como Tsuda College. É uma das instituições de ensino superior de mulheres mais prestigiada no Japão.

Embora Umeko Tsuda desejasse reforma social para as mulheres, não tinha a ver, nem defendia movimentos feministas.
Todas as suas atividades em prol das mulheres eram baseadas na sua filosofia de que a educação focada no desenvolvimento da inteligência e personalidade, tornariam as mulheres independentes.

Seu sonho teve apoio por muitas mulheres, amigos americanos e japoneses da Missão Iwakura. Muitos deles se doaram, dedicaram suas vidas a ajudar Tsuda ou ensinavam na escola sem nada em troca, gratuitamente.

Comentários

Olá! Boa noite/dia!
Nossa! Uma verdadeira aula...parabéns!
Quem depois de ler, esta linda postagem, não souber, como o DIA DA MULHER, é importante e comemorado no Japão..é melhor...deixa para lá!
Boa quinta!
Beijos carinhosos!
Olá amiga!!!
Parabéns pelo post e pela viagem na cultura oriental.Eu vivo e respiro isso tudo aqui no Japão.É uma aventura de um jeito e também de outro.Mas vim aqui para falar de hoje, dia 8...
8 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER
"Entendo que cada mulher no mundo, é uma centelha de luz e de um brilho intenso, mas tão intenso, que por mais que tentemos chegar perto desse brilho, muitos esbarram na pequenez do machismo achando que é superior. Mulher é um ser de luz, de vida, que procria a vida e é essa dádiva de Deus que a torna simplesmente I-N-I-G-U-A-L-Á-V-E-L em todo canto do mundo."
Parabéns minha centelha de luz!Continue brilhando em um mundo onde valores podem ser distorcidos,rótulos podem ser criados, violência pode ser sentida, discriminação pode ser fomentada, mas uma coisa nunca e jamais poderá ser mudada...MULHER!!!SIMPLESMENTE, I-N-D-I-S-P-E-N-S-Á-V-E-L.
Feliz Dia Internacional de Um Ser Único!!!
Votos do amigo, Rubi Valente.
Japan - 08/03/2012 P.S. - Deveria ser FERIADO NACIONAL!
Passe em meu blog..tem post para vc!
Malu disse…
Realmente uma grande conquista para esta parte da humanidade que sempre foi tida como inferior, mas que com o passar dos tempos foi mostrando sua grande determinação e força e chegou onde chegou na SOCIEDADE. O que pensam é que as mulheres querem tomar o lugar dos homens, quando na verdade só querem conquistar o seu espaço.
Bela postagem.
Abraços
Van disse…
Oi Leh,

maravilhoso o seu post, tão informativo.

Para um país tradicional como o Japão, a luta das mulheres pela desconstrução do machismo é ainda mais forte.

Corretíssima a forma deles comemorarem a data, discutindo e repensando a trajetória das conquistas.

Parabéns pelo dia de ontem. Desculpe as minha ausência, eu estava viajando.

Beijos!

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