O nome do blog "Vidasemvoltas" mudou para Japão Cultura e Turismo

Finalmente meu relato

Muitos amigos me perguntaram porque não havia ainda postado sobre o terremoto.
Confesso, não havia inspiração para descrever o que o Japão estava passando.
Não gosto de descrever tragédias e esperei que as coisas se acalmassem.
Aguardei este momento mais calmo, porém não menos tenso, para fazer esta postagem.
Havia deixado o post do White Day que ficou em rascunho, mas também não tive espírito para publicar e vai ficar para o próximo ano que, com certeza, será melhor.


Madrugada de 27 de fevereiro
Parecia tontura!
A ficha caiu ... olhei para o lustre que balançava.
Em casa é assim, olho para o lustre para saber se é terremoto.
Foi assim na madrugada de domingo, dia 27 de fevereiro.
Eu estava na net (pra variar), com o app do Twitter aberto, mas uma hora atrás, alguns tuiteiros, que moram ao norte da ilha, já haviam sentido o tremor.
Desta vez, nós que ficamos ao centro, também sentimos.
Algumas pessoas acordaram, acessando o Twitter.
Lembro-me bem da conversa que tive:


Tarde de 11 de março...
... mais ou menos 14:40, e eu estava apressada, computando o tempo que levaria para medir a última peça.
Trabalho em inspeção de peças e, naquele dia, pedi para não fazer horas extras, portanto logo sairia.
Parecia tontura... mas não tinha nada para ver se estava balançando!
Desta vez, tive a certeza de que o chão tremeu.
Olhei para trás. Percebi que o meu líder, que estava sentado à mesa, atrás de mim, percebeu o tremor.

- "Jishin" - disse a ele.
Jishin, em japonês, quer dizer terremoto.

O microfone anunciou algo que não lembro, e meu líder levantou-se às pressas - estava bem apavorado - e disse para sairmos.
Pelas outras portas, os demais colegas também saíam.
É bem verdade que acostumamos com esses tremores, quando pequenos.
Foi um tremor de 2 a 3 minutos.
A sensação é de tontura e parece que vamos cair.
Quando parou, voltamos a trabalhar normalmente.
De novo, outro tremor, mas desta vez ninguém saiu, porque todos percebemos que era apenas mais um tremor.
Ali mesmo, na frente dos japoneses, acessei o Twitter, todos diziam a mesma coisa.
Soube que o tremor havia sido forte na região nordeste.
Encerrei o expediente e a timeline estava enorme.
Quando cheguei em casa, liguei a TV e aí finalmente soube o que havia acontecido.
Bem, amigos, não vou discorrer, porque daí pra frente, foram noticiários de sites, emissoras de TV, enfim, todos os meios de comunicação falavam sobre a mesma coisa.
Tenho um canal no YouTube onde reproduzo os vídeos da mídia brasileira relacionados ao Japão.
Através do canal, eu me sensibilizei e senti os dramas das pessoas envolvidas na tragédia, a tristeza pelas perdas ou dos que foram menos atingidos, seguidos ainda, do mais preocupante problema da usina nuclear.
Foram imagens diversas, opiniões e informações, muitas vezes desencontradas.
Por isso, também, preferi me dedicar aos vídeos, embora alguns um tanto exagerados.

Ao mesmo tempo, muitas manifestações de carinho por parte dos amigos de todas as partes e, até mesmo, fiz amizades por isso.
Recebia mensagens de jornalistas da mídia brasileira, mas não pude acrescentar muito, já que a minha região não foi tão afetada, distante a mais de 500 km, na área branca do mapa.
A área atingida foi a nordeste, em azul escuro neste mapa, onde se vêem as tão citadas províncias de Aomori, Iwate, Miyagi, Fukushima, conforme a segunda imagem abaixo, em que aparece o epicentro.


Foram inúmeras as manifestações de carinho que recebi, via e-mail, Twitter, Orkut, SMS, Facebook, recados deixados através de comentários via Blogger e até via YouTube, de todo o Mundo.
Preocupações também demonstradas pelas amigas Neusa Fiesta do blog Deep in Fiesta, que publicou no diHITT e da querida Maria Marçal do blog Maturidade com esta publicação também no diHITT e de todos os amigos da rede.
Agradeço a Deus pela vida e pelos amigos que tenho e que Ele abençoe a todos!

É um velho clichê, mas depois da tempestade vem a bonança.
Hoje, as pessoas estão mais calmas, muitas ajudas foram feitas e já se tem algo reconstruído.
Ainda sensibilizada, talvez não me expressando como gostaria, desejo também que todos deste arquipélago, principalmente aos que se encontram na região afetada, Deus mantenha essa força e que, assim como tenho a certeza de que em breve o Japão vai conseguir se sair desta, todos possam prosseguir em paz.

Este foi um relato pessoal.
Em 15 dias muita coisa foi feita, o mundo verá, com certeza!

Comentários

Maria Marçal disse…
A gente que não vive o problema dimensiona de forma aterrorizante, o que claro aconteceu com mais de dez mil pessoas que perderam a vida, mas diria que a amizade que temos por ti, ´pela Rose são verdadeiras e naquele momento nada mais importante do que saber se vocês estariam bem.

Graças a Deus, estão.

Esse teu relato, agora com o equilíbrio e responsabilidade do que vem a nos contar, é a maior prova de que somos de fato amigas e isso é o mais bonito nessa História triste: pessoas voltadas ao bem e com consideração.

Um beijo agradecida e feliz por ti e pelos teus que com certeza estão fora do perigo.

Maria Marçal - Porto Alegre - RS
Oi Leh, é muito bom saber que está tudo bem com você.

Mas menina, pra quem nunca viveu nada parecido, mesmo a sua descrição de quem estava distante do local mais atingido, assusta. Acostumados ou não, não deve ser das coisas mais fáceis conviver com os pequenos tremores.

De qualquer forma, não tem como a gente não lamentar as vidas perdidas e desejar muita força aos que precisam recomeçar.

Bjs
Neusa Fiesta disse…
Minha querida amiga, que relato de tirar o fôlego esse que vc fez! Fica evidente que não havia mesmo condições de falar a respeito há mais tempo! Era preciso dar tempo ao tempo, pois imagino que diante de uma calamidade desse porte, a mente das pessoas, como que em "estado de choque", sequer consegue processar e elaborar de imediato tudo o que está ocorrendo. Quanto a mim, assim que tive conhecimento dos fatos, meu primeiro pensamento foi para você!
Fiquei muito preocupada e aflita! O melhor momento foi quando recebi seu comentário na notícia que postei no DiHITT: " Neusa! Passando por aqui - rapidinho - exclusivamente para agradecer e comprovar que estou viva! Viva a vida!...". Foi um misto de alívio, alegria e gratidão, por você ter se manifestado tão rapidamente, a fim de acabar com toda aquela angústia!
E agora, mais esse seu gesto de amizade mencionando o meu nome em seu Blog! Fiquei até emocionada e quero agradecê-la de coração! Você é, realmente, uma pessoa muito especial, muito querida! Tanto que, por ocasião de seu aniversário, senti vontade de homenageá-la, mas não sabia exatamente o que fazer. Aí me ocorreu a idéia: procurei um local onde pudesse fazer uma gravação e, tive a ousadia de cantar uma melodia japonesa para lhe "dar de presente"! Não "assinei embaixo da canção", portanto, nem sei se você tem conhecimento de que sou eu mesma cantando!!! Espero não ter judiado de seus ouvidos! rs rs
Leh, desejo-lhe toda a felicidade do mundo e transmito-lhe o meu carinho! Um grande beijo!
Sissym disse…
Leh, nos tempos atuais é possível sabermos num instante o que acontece no mundo. Eu fico aliviada em saber que meus amigos que moram no Japão estão bem e admirada porque os japoneses são pacientes e respeitosos com os direitos de todos. Num momento tão extremo, com tanta perda e dor, estão mostrando garra. Aprendemos.

Bjs

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